Kristin: Apoio aos condomínios para recuperação urbana
Carta aberta apelando à criação de mecanismos de apoio à recuperação urbana de edifícios em propriedade horizontal.
Rui Maurício
2/2/20262 min read


Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro,
Ex.mas Senhoras e Senhores Ministros,
O Movimento de Intervenção Cívico (MIC) manifesta solidariedade para com as famílias e empresas afetadas pela tempestade Kristin e reconhece a relevância das medidas anunciadas para apoiar famílias e empresas.
Ainda assim, existe uma lacuna prática e urgente: a recuperação de edifícios em propriedade horizontal, quando os danos incidem sobre partes comuns — especialmente telhados e fachadas — deve ter apoio direto ao condomínio (administração), e não ficar dependente de apoios dispersos a cada proprietário de fração.
Na realidade, o modelo centrado apenas nos proprietários falha frequentemente, porque muitos prédios afetados enfrentam bloqueios como:
proprietários ausentes (frações devolutas, casas abandonadas, herdeiros desconhecidos ou incontactáveis);
imóveis em processo de partilhas/inventários, com decisões e pagamentos travados durante meses ou anos;
proprietários estrangeiros ou não residentes, com dificuldade de contacto e participação nas deliberações;
desigualdade de capacidade financeira entre condóminos, tornando impraticáveis quotas extraordinárias imediatas.
O resultado de insucesso será previsível: obras urgentes não avançam, agravam-se infiltrações e riscos de segurança, aumenta a degradação do edificado e sobe o custo final da recuperação — com maior pressão futura sobre os próprios apoios públicos.
Por isso, o MIC solicita ao Governo a criação imediata de um mecanismo específico — apoio monetário e financiamento bonificado — dirigido a condomínios legalmente constituídos, para obras em partes comuns, nomeadamente:
reparação/substituição de coberturas e impermeabilizações;
reparação de fachadas e elementos de segurança;
intervenções urgentes de contenção e prevenção de danos adicionais.
Sugerimos um procedimento simples e rápido:
candidatura pela administração do condomínio (com ata/mandato);
vistoria e orçamento em formato simplificado;
possibilidade de adiantamento para intervenções imediatas, com fiscalização a posteriori.
A reabilitação das partes comuns é uma condição de segurança, habitabilidade e estabilidade urbana. Sem um canal direto para os condomínios, muitos edifícios ficarão parados, exatamente onde a urgência é maior.
A recuperação urbana das zonas atingidas é uma urgência!
O MIC mantém-se disponível para contribuir para a definição e divulgação deste mecanismo, para que chegue com rapidez a quem dele necessita.
Com os melhores cumprimentos,
Movimento de Intervenção Cívico (MIC)
Nazaré
CIDADANIA CONSCIENTE
Promovendo uma sociedade mais justa e sustentável.
Ação Consequente!
© 2024. All rights reserved.
